




A Comissão de Arbitragem de Genebra concede ao Brasil a posse do território do Amapá após conflitos territoriais com franceses, holandeses e portugueses.
Posse do presidente Rodrigues Alves. Seu governo foi centrado na remodelação e saneamento urbano do Rio de Janeiro. O engenheiro Pereira Passos foi nomeado prefeito da cidade e recebeu plenos poderes para implementação de reformas de modernização, entre elas a ampliação do porto, demolição de cortiços, alargamento de ruas, construção de avenidas, além da regulamentação de um código de posturas.
O governo brasileiro assina o Tratado de Petrópolis, negociado através do Barão do Rio Branco, com a Bolívia e compra o território do Acre.
O sanitarista Oswaldo Cruz inicia uma campanha de combate à epidemias. É realizada uma campanha de vacinação obrigatória, que levou a um violento protesto da população carioca, movimento que ficou conhecido como a Revolta da Vacina.
Os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo assinam o Convênio de Taubaté, que institui a compra e estoque de safras de café como forma de estabilização cambial e proteção aos cafeicultores.
Afonso Pena é eleito presidente. Em seu governo, teve continuidade o programa de reaparelhamento das ferrovias e portos, disponibilizou recursos para a ligação do Rio de Janeiro à Amazônia através do telégrafo, e reorganizou o Exército.
O Brasil participa pela primeira vez de uma conferência mundial, comparecendo à Segunda Conferência de Haia.
Após a morte do Presidente Afonso Pena, Nilo Peçanha, eleito seu vice, assume o cargo. Seu governo foi marcado pelo conflito entre as oligarquias mineira e paulista, devido à campanha civilista de Rui Barbosa em oposição à candidatura presidencial do Marechal Hermes da Fonseca. Criou o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria; o Serviço de Proteção aos Índios (1910) e impulsionou o ensino técnico- profissional.
Marechal Hermes da Fonseca, nascido no Rio Grande do Sul, é o primeiro Presidente eleito não indicado por nenhuma das partes da política dos governadores. No inicio de seu governo, conteve a Revolta da Chibata, um levante contra os castigos físicos adotados pela Marinha, que ameaçou bombardear a capital. Outra revolta iniciada em seu governo foi a Guerra do Contestado, no limite entre o Paraná e Santa Catarina. Liderada pelo beato José Maria, o movimento, que pretendeu fundar um império “celestial”, envolveu a população cabocla e as tropas do governo do Paraná. De caráter principalmente messiânico, essa revolta teve origem nos conflitos sociais da região e representou a insatisfação popular com sua situação em relação à posse das terras. Foi liquidada em 1915, já no governo de Venceslau Brás.
Venceslau Brás é eleito presidente em 1914 e adota políticas financeiras de incentivo à industrial nacional, promovendo, inclusive, a queima do estoque de café. Em 1916 promulga o primeiro Código Civil Brasileiro. Além da Guerra do Contestado, enfrenta também manifestações militares, como a Revolta dos Sargentos.
Navios brasileiros são bombardeados pela Alemanha e o governo brasileiro une-se aos Aliados na Grande Guerra.
Rodrigues Alves é eleito presidente, porém não chega a tomar posse por ter sido vítima da epidemia de gripe espanhola. Assume então Delfim Moreira, que permanece no cargo até a convocação de novas eleições. Durante seu mandato enfrenta uma série de greves gerais e fecha os sindicatos.
O presidente Epitácio Pessoa promove a terceira política de valorização do café, emitindo mais papel-moeda e obtendo empréstimo com a Inglaterra. Ele enfrentaria também a insatisfação da população urbana, as tensões entre as elites dominantes e o descontentamento dos militares do Exército, culminado no episódio chamado Revolta do Forte de Copacabana, primeiro levante do movimento Tenentista.
Empossado o presidente Artur Bernardes. Seu governo ficaria marcado pelo longo período de estado de sítio. O motivo foi a instabilidade política gerada por revoltas políticas no Sul do país, por movimentos operários e revoltas tenentistas. Ainda durante seu mandato, o Brasil se retirou das Ligas das Nações em 1926.
Entre 1925 e 1927, sob a liderança de Luís Carlos Prestes, a Coluna Prestes percorre o interior do país, difundindo idéias de reformas políticas e sociais contrárias às oligarquias dominantes e às políticas da República Velha.
Washington Luis, candidato à presidência pelo Partido Republicano Paulista, é eleito e, em 1927, para desencorajar a oposição, cria a Lei Celerada que restringia o direito a reunião e impunha censura à imprensa, além de não reconhecer a legalidade do Partido Comunista Brasileiro, o PCB.
Em 24 de outubro é deflagra a maior crise econômica na história mundial com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Os efeitos no Brasil se deram principalmente na política de valorização do café, que respondia por 70% da exportação brasileira e teve seu preço reduzido no mercado internacional. A crise gera instabilidade no governo de Washington Luís, que opta por não desvalorizar novamente a moeda brasileira.
A Aliança Liberal, união entre os políticos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, lança sua chapa candidata à sucessão Presidencial e, ao perder a eleição, organiza o movimento que passaria à posteridade como Revolução de 30. O presidente Washington Luís foi deposto, seu candidato à sucessão, Júlio Prestes, impedido de assumir o poder. Getúlio Vargas chefe do Governo Provisório, dando fim ao período denominado República Velha.
Getúlio Vargas, em seu primeiro período de governo, nomeia interventores para os governos estaduais e cria o Ministério da Educação e Saúde e o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que através da Lei de Sindicalização aprovaria os estatutos sindicais.
Eclode a Revolução Constitucionalista de São Paulo, movimento armado a favor da derrubada de Getúlio Vargas e de uma nova Constituição brasileira.
Após o fim do movimento Constitucionalista liderado por paulistas, inicia-se o processo de redemocratização. Em maio de 1933 é realizada a eleição para a Assembléia Nacional Constituinte. Em 1934 a nova Constituição é promulgada, estabelecendo, entre outros fatores, o voto obrigatório para maiores de 18 anos, o voto feminino (já instituído anteriormente pelo Código Eleitoral de 1932) e a criação da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral. Após a promulgação da Constituição, o Congresso elege indiretamente Getúlio Vargas como Presidente da República.
O Governo Constitucional de Getúlio Vargas é marcado pela atuação da Ação Integralista Brasileira e pelo surgimento da Aliança Nacional Libertadora. Em 1935, após a prisão de diversos líderes, a ALN organiza a Intentona Comunista. O movimento é sufocado pelo governo.
Quando as novas eleições eram aguardadas surge a denúncia de um possível plano comunista – o Plano Cohen – que visava tomar o poder. Sob esse pretexto, Getúlio Vargas instaura o Estado Novo, que se direciona para a intervenção estatal na economia e o nacionalismo econômico, promovendo a industrialização (Criação da Companhia do Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional, entre outras). O Congresso é dissolvido e é outorgada uma nova Constituição, que tinha como principal característica a centralização do poder na figura do chefe do Executivo. Dessa maneira, Getúlio ordena o fechamento de todos os partidos políticos, provocando um fracassado levante integralista para depor o Presidente.
Eclode a II Guerra Mundial. O Brasil mantém-se neutro até 1941, quando assina um acordo com os Estados Unidos que permitiria a instalação de bases militares americanas no Nordeste.
Getúlio Vargas cria o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável pela propaganda do Governo Getulista e pela censura de manifestações culturais do Brasil.
Navios brasileiros são bombardeados por submarinos alemães e o Brasil declara guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).
É editada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Termina a II Guerra Mundial com a vitória dos Aliados. A pressão pela redemocratização política do Brasil aumenta. Getúlio Vargas toma medidas como a anistia para presos políticos, a promessa de eleição de nova Assembléia Constituinte e a legalização dos partidos. Em outubro de 1945 o presidente é deposto por um movimento de militares e são convocadas eleições gerais. Por chamado das Forças Armadas, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, assume a presidência por três meses.
Eurico Gaspar Dutra assume a Presidência e no primeiro ano do seu mandato a Assembléia Constituinte promulga a quarta Constituição Republicana. De perfil democrático, a constituição estabelece a igualdade perante a lei, a liberdade de expressão e o mandato Presidencial de cinco anos, entre outras características. Em 1947 o presidente Dutra decretaria a ilegalidade do Partido Comunista do Brasil. Além disso, elaboraria o Plano SALTE (Saúde, Alimentação Transporte e Energia) posteriormente abandonado, iniciaria a construção da rodovia de ligação entre RJ e SP, atualmente conhecida como Rodovia Presidente Dutra.
Getúlio Vargas é reeleito Presidente e em seu último mandato adota medidas econômicas nacionalistas, criando o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDE) em 1952, a Petrobrás em 1953 e o Plano de Valorização Econômica da Amazônia (posteriormente transformada na Sudam). Em 1954, Carlos Lacerda, líder da União Democrática Nacional (UDN) e adversário político do presidente, sofre um atentado. O fato repercute amplamente no país, culminando no suicídio do Presidente em 24 de agosto do mesmo ano.
João Café Filho assume a Presidência após o suicídio de Vargas e direciona seu governo para o combate à inflação. Em novembro de 1955, Café Filho afasta-se do cargo por problemas de saúde, assumindo em seu lugar Carlos Luz, presidente da Câmara. Ao tentar reassumir a presidência, Café Filho é impedido pelo Congresso Nacional e substituído por Nereu Ramos, presidente do Senado.
Juscelino Kubitschek em seu governo lança o Plano de Metas, cujo lema era “cinqüenta anos de desenvolvimento em cinco anos de governo”, baseado em um forte desenvolvimento industrial do país. O feito mais marcante dessa política foi a construção de Brasília em 1960, transferindo o distrito federal para a nova cidade e transformando o Rio de Janeiro no Estado da Guanabara.
Jânio Quadros toma posse como presidente da república e adota, desde o inicio de seu governo, medidas antiinflacionárias. Sua política de aproximação do bloco comunista, no entanto, desagradaria os grupos que o apoiaram nas eleições; a repressão a movimentos de oposição desagradou os esquerdistas; e sua política de austeridade baseada no congelamento dos salários e restrição ao crédito desagradou a classe média. Isolado politicamente, Jânio Quadros renunciaria em agosto de 1961. Uma tentativa de golpe tentou impedir que o vice-presidente João Goulart assumisse a presidência, a solução acordada foi a instauração de um governo parlamentarista.
João Goulart assume a presidência sob regime parlamentarista, tendo como Primeiro Ministro Tancredo Neves. Em seu governo mantém uma política externa independente e reata relações diplomáticas com a URSS, rompidas durante o governo Dutra. Seu governo tinha o objetivo principal de conter a inflação e incentivar a economia. No entanto, gerou insatisfação por parte de diversos setores da sociedade. Em 1963 é realizado um plebiscito e volta a vigorar o sistema presidencialista de governo. Em comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, João Goulart anuncia uma série de reformas. Poucos dias depois, tropas militares encaminham-se para o Rio de Janeiro e depõe o Presidente. Instaura-se um regime de exceção. É decretado o ato institucional número 1 (o AI-1), que determina entre outras coisas, as eleições presidenciais indiretas. Em 11 de abril, o Marechal Castelo Branco é eleito pelo Congresso Nacional.
O Governo do presidente Castelo Branco legitima o endurecimento do regime. Promulga novos atos institucionais que ampliavam os poderes do Executivo; implementa o bipartidarismo (a ARENA e o MDB); cria o Sistema Nacional de Informações (SNI); o Plano de Ação Econômica do Governo – para contenção da inflação e crescimento da economia; e unifica institutos previdenciários. Decreta o fechamento do Congresso Nacional e em 1967, uma nova Constituição é promulgada. No mesmo ano é instituído o cruzeiro novo como moeda nacional e duas leis são implementadas: A Lei da Imprensa, que restringia a liberdade de expressão e a Lei de Segurança Nacional, que define como crimes atos contra a segurança nacional e a ordem política e nacional.
Eleito presidente pelo Congresso Nacional o General Artur da Costa e Silva. O fato mais marcante do seu mandato foi o Ato Institucional número 5 (AI-5) em 1968, pelo qual se ampliava ainda mais os poderes do Executivo. O parlamento é fechado, os opositores do regime têm seus direitos políticos cassados, reuniões públicas são proibidas, oficializa-se a censura aos meios de comunicação. Em 1969, Costa e Silva afasta-se da Presidência por motivos de saúde e uma Junta Militar assume o governo provisoriamente.
Eleito Presidente o General Emilio Garrastazu Médici. Seu governo é marcado por uma forte repressão, e censura à oposição do regime militar. Inflamam-se guerrilhas urbanas e rurais contra o governo Médici, fortemente combatidas por ele. A propaganda do governo cria o “Milagre Brasileiro”, devido ao grande crescimento econômico brasileiro – reflexo do crescimento mundial – e realização de grandes obras, como a Transamazônica, a Ponte Rio-Niterói e a criação da Usina de Itaipu (1973).
Eclode a primeira crise mundial do petróleo, desencadeada pelo embargo ao fornecimento do produto aos Estados Unidos e potências européias, por parte dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
O Congresso elege o General Ernesto Geisel para Presidente da República. Seu governo iniciou o processo chamado de “distensão lenta, segura e gradual”, que visava a reimplantação do sistema democrático. Isso não significou o abandono de atitudes autoritárias, como a repressão às organizações clandestinas, ao partido comunista brasileiro e o uso do AI-5, que é revogado em 1978. Também durante a Presidência de Geisel, ocorre a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro no ano de 1975.
Devido a primeira grande crise do petróleo, que se agravou em 1979, a partir de 1975 o governo passa a financiar o programa pró-álcool, de substituição em grande escala de automóveis movidos a combustíveis derivados do petróleo por álcool.
Eleito pelo Congresso Nacional, assume a Presidência da República o General João Batista Figueiredo, que prossegue com a abertura política. No primeiro ano do seu mandato, é regulamentada a Lei da Anistia, estendida a todos os cidadãos que tiveram, de alguma maneira, seus direitos ou liberdade restritos. A Anistia permitiria o retorno ao Brasil dos exilados políticos, alguns deles fora do país desde 1964.
Em 1980, o governo Figueiredo enfrenta a Grande Greve do ABC paulista, ligado principalmente à indústria automobilística. No movimento grevista destaca-se o líder Luiz Inácio da Silva, o Lula, coroado como liderança nacional no ato do dia 1° de maio daquele ano. Mais tarde, Luiz Inácio incorporaria o “Lula” ao seu nome para poder usá-lo eleitoralmente.
Em novembro realizaram-se eleições diretas para o Congresso e os Governos estaduais. A eleição marca o retorno de diversos líderes políticos afastados pela ditadura. É também a primeira eleição disputada pelo Partido dos Trabalhadores.
Amparados pela proposta de emenda constitucional apresentada pelo deputado Dante de Oliveira, partidos políticos de oposição ao governo, lideranças políticas, civis, estudantis e jornalísticas se reúnem e reivindicam eleições diretas para presidente. Em1983 tem início o movimento "Diretas Já". Seria a primeira grande manifestação política popular do processo de redemocratização do país. A emenda é derrotada no congresso e as eleições presidenciais são mais uma vez realizadas no Colégio Eleitoral.
Após o fracasso do movimento das Diretas, Tancredo Neves é eleito Presidente da República pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro. Tancredo iria falecer três meses depois sem tomar posse. O vice-presidente José Sarney assume o cargo.
Em 1986, o governo Presidencial anuncia o Plano Cruzado, que determina a nova unidade monetária brasileira: o Cruzado.
A Assembléia Nacional Constituinte é instalada sob a liderança do deputado Ulisses Guimarães no ano de 1987 e um ano depois é promulgada a Nova Constituição, que tem como principais características: eleições diretas em dois turnos pra presidente, governador e prefeitos, presidencialismo como forma de governo, independência dos três poderes, extensão dos votos aos analfabetos e maiores de 16 anos, universalização do direito de greve, o habeas data, entre outras.
Fernando Collor de Mello, eleito por eleição direta, assume a Presidência da República. Seu mandato foi marcado pelo chamado Plano Collor, que consistiu no confisco de ativos financeiros, com a finalidade de combater a inflação. Em 1992, Fernando Collor é acusado de corrupção e uma Comissão Parlamentar de Inquérito investiga as denúncias. Pressionada por uma grande movimento popular, a proposta do processo de impeachment é aprovada pelo Congresso Nacional e o então Presidente sai do cargo, assumindo em seu lugar o vice Itamar Franco.
O governo de Itamar Franco é marcado por uma forte recessão econômica e pela continuidade da política liberal de Fernando Collor. Em 1993, conforme previa a Constituição de 1988, é realizado um plebiscito para escolha da forma e do sistema de governo do Brasil. Por maioria dos votos são escolhidos o Regime Republicano e o Sistema Presidencialista.
Em 1994, o presidente e seu ministro da economia, Fernando Henrique Cardoso, lançam um novo plano de valorização econômica, o Plano Real. A receita é a mesma de outros planos econômicos: supervalorização da moeda brasileira nos mercados interno e externo, regime de banda cambial e altas taxas de juros. É criada uma nova moeda, o Real.
Embalado pelo sucesso do combate à inflação, Fernando Henrique Cardoso é eleito presidente da República, sendo reeleito em 1998. Durante seus mandatos, são aprovadas diversas medidas alterando a Constituição de 1988. Uma série de reformas são realizadas nos campos administrativo e previdenciário; ocorre a desregulamentação de mercados econômicos; a flexibilização das leis trabalhistas; o fim do monopólio estatal nas áreas de siderurgia, energia e telecomunicações, entre outras mudanças.
O Brasil comemora os 500 anos de seu descobrimento.
Na quarta candidatura à presidência, Luís Inácio “Lula” da Silva vence o segundo turno da disputa presidencial contra José Serra e é eleito Presidente da República. Lula é considerado o primeiro presidente brasileiro oriundo das classes populares.